4
mai

O Espinho Cravado na Pétala da Flor

Por que me fazer acordar no meio da noite para escrever?

Tudo bem, sei que você não é a dona da culpa, mas não negue que é a geradora da causa!

Não que seja ruim acordar pensando na sua graça, mas a noite é fria, e a coberta, escassa.

Vejo a coroa que te coloquei reluzindo em sua cabeça, mas a pergunta não cala: Por que você?

Poderia dizer que é por sua beleza, mas nem bela você é.

Claro! Talvez seu jeito meigo de me olhar…Piada

Gosto mesmo é do seu ódio latente e vibrante escorrendo por seus olhos, do som de sua palma na minha cara, e do cravar de suas unhas em minhas costas. Seu espírito selvagem.

Provoco a cólera, intensifico a raiva. Quero-te como um vulcão ameaçando a pequena aldeia.

Volto a dormir, me reviro em pesadelos…Acordo!

Olho-te de manhã e soa um simples estalo de um beijo dócil.

Realmente, não consigo entender essa relação harmoniosa com a inconstância.

Vendo de fora, tudo é estranho, vendo de dentro, muito mais…

Acostuma-se…

Fazer o que?

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3
mai

O reflexo de tudo

Queria dizer que sou o poeta,
poder gritar que isto é meu,
mas, infelizmente, não tenho esse direito.

A luz que reflete das palavras recém escritas…não me pertence,
O belo som ecoado das rimas…não são da minha boca,
E o sangue que deposito no papel…não saiu da minha ferida.

Tudo o que escrevo vem de você, vem dele, vem do além, talvez.

Meu papel, é o simples escrever de tudo.

Não sei se me posso dizer poeta, mas sim, tradutor do mundo.

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24
abr

Exposição que reúne cem obras de Hélio Oiticica em SP é prorrogada

A exposição “Hélio Oiticica – Museu é o mundo”, sediada pelo Itaú Cultural e com instalações do artista espalhadas por diversos pontos da cidade, foi prorrogada. A mostra, aberta no final de março, agora ficará em cartaz na cidade até o dia 23 de maio.

Antes, a previsão dos organizadores era de encerrá-la no dia 16 do mesmo mês.

A mostra exibe várias peças que sobreviveram a um incêndio, ocorrido em 2009 no Rio de Janeiro, em uma casa que armazenava grande parte do acervo do artista.

Segundo seus curadores, Fernando Cocchiarale e César Oiticica Filho, a mostra é a maior já vista na capital paulista sobre o trabalho do artista carioca – são, ao todo, cem obras de Oiticica reunidas.

Além de ocupar três andares do prédio do Itaú Cultural, a exposição exibe trabalhos do artista em locais como o Parque Ibirapuera, a Casa das Rosas, o Teatro Oficina, a Pinacoteca do Estado e o Parque Mário Covas.

Entre os destaques, ao lado de12 de seus conhecidos Parangolés e da instalação Cosmococa, estão obras como “Macaleia” (feita em homenagem ao compositor carioca Jards Macalé), “A invenção da luz” (estrutura composta por transparências) e “PN 28 ‘nas quebradas’” (que se assemelha a vielas de uma favela).

Dentre as peças que não sofreram avarias com o incêndio do ano passado, estarão expostas na mostra as instalações “PN 27 ‘Rinaviera’” e “B57 bólide cama 1″.

Junto às obras, “Hélio Oiticica – Museu é o mundo” compila textos deixados pelo artista que complementam o entendimento de sua arte.

Vanguardista, Oiticica, morto em 1980, é um nome essencial nas artes plásticas do Brasil e talento reconhecido no mundo todo.

“Hélio Oiticica – Museu é o mundo”
Quando: até 23 de maio
Onde: Itaú Cultural, Casa das Rosas, Parque Ibirapuera, Teatro Oficina, Parque Mario Covas e Pinacoteca do Estado de São Paulo
Quanto: Grátis (com exceção da Pinacoteca, que cobra ingresso de R$ 3 a R$ 6 e é gratis aos sábados)
Informações: (11) 2168-1777 e no site do Itaú Cultura

Fonte: G1

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11
abr

Aula de Português

A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.

A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?

Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas da minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.

Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.

O português são dois; o outro, mistério.

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27
mar

O Analfabeto Político

“O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão,
do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia
a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta,
o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.”
Nada é impossível de Mudar
“Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de
hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem
sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.”
Privatizado
“Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário. E agora não contente querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence.”

(Bertold Brecht)

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24
mar

Sonhar ou acreditar?

O destino me trombou com o sonho.

Sim, vou explicar melhor, só fiz isso pois gosto de começos incompreensíveis.

Ao andar na rua, momentaneamente só apesar das diversas companhias, a sorte me lançou um pegador de sonhos aos pés. Sim, daqueles que qualquer hippie vende para serem usados como brincos. Agachei-me perto daquela simples preciosidade e o peguei com total cuidado e consideração pelos sonhos de uma provável garota que lá estariam estocados.

Voltei-me ao grupo para exibir o singelo achado quando ouço uma voz dizer: “Isso funciona, mas apenas se você acreditar no poder do objeto”. Confesso que não entendo como uma coisa pode depender do seu pensamento para funcionar, seria como se eu deixasse de acreditar nos aviões e todos caírem ao mesmo tempo.

Continuei andando.

Cheguei ao ponto de ônibus com uma vontade notória de ficar sozinho, com algumas exceções pessoais, mas enfim, isso seria algo impossível naquele momento.

A curta jornada parecia longa, principalmente pela lotação nos obrigar a permanecer mais unidos do que desejávamos, mas que felizmente, logo acabou.

Finalmente só, em uma cidade de 12 milhões de habitantes, acariciei o objeto encontrado e pensei realmente em acreditar na força mágica que eu tinha em minhas mãos, e durante esses pensamentos, eu fugia para tentar encontrar o motivo de como algo tão forte e repleto dos pensamentos mais íntimos de uma pessoa poderia se perder assim, tão fácil.

Pensei em cortar aquela rede e  acabar de vez com a intimidade daquela pessoa incógnita. Mas espera! Será que algo não fez com que aqueles sonhos me escolhessem dentro de uma probabilidade de 1 para 10 milhões? Besteira, vamos pensar racionalmente, eu apenas encontrei.

Não sei, me afogo nessa dúvida de escolha e acaso.

Mas sabe, o que mais me preocupa não é o fato de como isso chegou a mim, mas de quem pertencem os sonhos ali contidos. Deveria eu colocar um anúncio no jornal escrito “devolvo sonhos”? Ou digo mais, certo que não foi eu o sonhador, entretanto, estando os sonhos em minha posse, eles passariam a serem meus.

Minhas mãos já estão ficando sujas de tinta e eu ainda não tenho uma solução. Será que eu deveria acreditar, será que eu deveria continuar enchendo aquilo de sonhos, ou será que eu apenas devia descartá-lo?

Bom, o que farei não posso dizer, mas uma coisa eu posso garantir. Nunca vou deixar de questionar se para funcionar, tem de acreditar!

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23
mar

O Menestrel

Apesar de muitos atribuírem a autoria deste texto a William Shakespeare, sua real autoria é de Veronica A. Shoffstall, e chama After a While.

Confesso que não sou muito propenso a gostar desses tipos de texto, porém esse me chamou a atenção pelo fato de como o ator o encena.

Vai aí o vídeo para vocês assistirem:

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15
mar

Por que fui ao teatro – “desabafo”

Devo dizer que nunca fui um frequentador assíduo do teatro e que sempre achei que isso não  me fazia falta.

Como posso ter me enganado tão radicalmente assim?

Talvez eu tenha fechado meus olhos para uma das mais belas artes que o ser humano foi capaz de desenvolver.

Creio que este post seja algo apenas para desabafo e para contar minha experiência e descoberta, entretanto, é válida a leitura para quem tinha a mesma visão que eu sobre o assunto.

Bom, a princípio, sempre achei que o teatro era algo interessante e diferente, porém sempre achei as condições de horário, local, e preço muito desmotivadoras. Estava enganado!

Depois que entrei na faculdade de Letras e comecei a estudar teatro, desde a antiguidade até hoje, comecei a perceber que tinha algo mais do que apenas uma “mensagem” a ser passada. Compreendi que havia algo mais belo, algo mais sujo, algo mais presente do que apenas te contar uma história, e, motivado pela universidade que oferecia peças por preços absolutamente acessíveis, comecei a ir todos os fins de semana e cada vez mais sentia que aquilo me transformava como pessoa.

Me vi crescer em pouco tempo e se hoje eu posso dar um conselho, esse seria: Vá ao teatro, sempre, onde, e quando puder!

Você verá que ao começar a frequentar, mais peças surgirão, mais informações sobre trabalhos a preços populares encontrará, e mais diversão terá!

É isso que posso dizer sobre o teatro!

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13
mar

Versão original de “Chapeuzinho Vermelho”

Era uma vez…

Uma garotinha que tinha que levar pão e leite para sua avó. Enquanto caminhava alegremente pela floresta, um lobo apareceu e perguntou-lhe onde ia.

À casa da vovó – respondeu ela prontamente.

O Lobo muito esperto, chegou primeiro à casa, matou a vovó, colocou seu sangue numa garrafa, fatiou sua carne num prato, comeu e bebeu satisfatoriamente, guardou as sobras na despensa, colocou sua camisola e esperou na cama.
Toc. Toc. Toc. Soou a porta.

Entre, minha querida – disse o lobo.
Eu trouxe o pão e o leite para a senhora, vovó – respondeu Chapeuzinho Vermelho.
Entre minha querida. E coma algo, tem carne e vinho na despensa – disse o lobo.

A Menina comeu o que lhe foi oferecido, e enquanto comia o gato de sua vó a observava aos murmúrios:

“Meretriz! Então, comes a carne e bebes o sangue de tua avó com gosto. Ata teu destino ao dela.”

Então o Lobo disse:

Dispa-se e venha para cama comigo
O que faço com meu vestido? – questionou Chapeuzinho.
Jogue na lareira. Não precisará mais disso – respondeu o lobo.

E para cada peça de roupa que a garota retirava, copete, anágua, meias, a garota refazia a mesma pergunta, e o lobo respondia:

“Jogue na lareira. Não precisará mais disso”

Então a garota deitou-se ao lado do lobo, e ao sentir o toque do pelo roçar em seu corpo disse:

Como a senhora é peluda vovó – exclamou Chapeuzinho
É para te esquentar, minha neta – respondeu o lobo.
Que unhas grandes a senhora tem!
São para me coçar, minha querida
Que dentes grandes a senhora tem!
São para te comer

E então a devorou.
… Fim.

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8
mar

Embriagai-vos

Embriagai-vos:

É necessário estar sempre bêbado.
Tudo se reduz a isso; eis o único problema.
Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo, que vos abate e vos faz pender para a terra, é preciso que vos embriagueis sem cessar.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.
Contanto que vos embriagueis.
E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio, na verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai-lhes que horas são;
e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, hão de vos responder:
É hora de se embriagar!
Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos;
embriagai-vos sem tréguas!
De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.

(Baudelaire)

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